Entre o Fim de Ano e o Cuidado com a Vida: Um Chamado à Sobriedade e Bem-Estar

Como as emoções do período podem influenciar escolhas, comportamentos e segurança — e por que o autocuidado é essencial
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18/12/2025 - 16:48

O final do ano costuma despertar uma mistura de emoções intensas: gratidão pelas conquistas, saudade do que passou e expectativa pelo que ainda virá. Mas esse período também traz cansaço acumulado, inúmeras demandas sociais e a sensação de que é preciso resolver tudo antes que o calendário mude. Nesse cenário, ansiedade e estresse encontram terreno fértil, levando muitas pessoas a buscar alívio imediato e fuga emocional em comportamentos impulsivos — especialmente no consumo de substâncias.

Esse tipo de consumo, muitas vezes visto como parte natural das celebrações, pode parecer inofensivo à primeira vista. Porém, ele afasta a clareza necessária para lidar com as tensões internas e, pior, aumenta o risco de acidentes, sobretudo quando associado à direção. As festas passam, mas as consequências de uma decisão tomada em segundos podem marcar vidas inteiras.

A verdade é que nenhum efeito momentâneo substitui o cuidado real com a saúde mental. O alívio rápido mascara emoções profundas e interrompe processos que precisam ser enfrentados com serenidade. Por isso, o período de férias — quando a rotina finalmente desacelera — pode se tornar um convite para reorganizar a mente, fortalecer hábitos saudáveis e reconstruir o equilíbrio que, aos poucos, o ano pode ter desgastado.

Além disso, quando falta sobriedade, conflitos que poderiam ser resolvidos com diálogo se transformam em desentendimentos graves, desavenças por motivos fúteis e até tragédias que ferem famílias e comunidades — como situações de violência, incluindo casos de feminicídio, ou decisões desesperadas que levam ao suicídio ou ao uso abusivo de drogas. Esses cenários lembram que a vida é dom precioso e cuidá-la com zelo é uma responsabilidade, buscando serenidade, apoio mútuo e força para enfrentar fragilidades, sem abrir espaço para escolhas que ferem a nós mesmos e ao próximo.

Escolhas conscientes fazem diferença. Respeitar limites, cultivar relações que trazem paz, desacelerar quando necessário e exercer autocontrole são atitudes que protegem a vida e promovem bem-estar duradouro. Trata-se de passos consistentes, guiados por uma visão de responsabilidade e cuidado — consigo mesmo e com os outros.

No trânsito, essa postura se torna ainda mais evidente. A lucidez ao volante, a atenção às próprias condições emocionais e a decisão de manter distância de qualquer substância que altere reflexos e julgamento são demonstrações práticas de maturidade. São gestos que expressam compromisso com a segurança e valorização da vida.

Ao final do ano, torna-se especialmente importante fortalecer processos internos que auxiliem na regulação emocional e na tomada de decisões equilibradas. A organização das próprias prioridades, a definição clara do que se considera essencial e a adoção de práticas que favoreçam sobriedade e estabilidade contribuem para reduzir respostas impulsivas e ampliar a percepção de risco. Quando a pessoa se orienta por valores bem definidos — aqueles que sustentam a responsabilidade, o cuidado com a vida e a coerência entre intenção e ação — o período de transição entre ciclos tende a ser vivido com mais segurança, lucidez e senso de propósito.

Texto: Felipe Elias Teodoro Moraes, Engenheiro de Segurança do Trabalho/SEAP